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eu sou uma barata
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tentativa de diário
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Sexta-feira, Julho 30, 2004
Um dos senhores observa as duas crianças. Lili estica as pernas, encontra para si uma posição confortável e fica olhando para o Guilherme com um sorriso no rosto.
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Ela leva a mão à boca.
posted by MARCO DUTRA 05:49
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Quinta-feira, Julho 29, 2004
Elisa sai da cozinha. Guilherme olha para a melancia. Olha para o corredor e de volta para a melancia. Empurra a melancia com uma mão. Ela rola devagar pela mesa até a beirada. Pára. Guilherme levanta e vai até a parte da mesa onde parou a melancia. Ele a empurra mais um pouco, ela resiste, ele empurra de novo com mais força e ela cai. Guilherme acompanha com o olhar. A melancia se parte em pedaços grandes sem muito barulho. Ele olha por alguns segundos e sai da cozinha rapidamente.
posted by MARCO DUTRA 20:12
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há um amigo
que me toma
por alguém
que bebe vitamina de banana
e come pinhões
o dia todo
posted by MARCO DUTRA 20:10
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deve ser muito chato
mas disse
ADORARIA
porque tinha recebido educação da mãe
e porque tinha o superior completo
(esse foi mais ou menos roubado do sergio)
posted by MARCO DUTRA 15:37
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Quarta-feira, Julho 28, 2004
"vou-me embora
com um comerciante de fazenda
chamado pedro"
e para o outro restou mais
uma sensação de frio
que persistia
mesmo debaixo dos dois cobertores
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"eu não sei
enlouquecer
deve ser isso"
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queria dizer
entre outras coisas
não há necessidade
de comerciantes de fazenda
na sua vida
estou nela
e faço comércio
só não é de fazenda
mas o outro sabia que às vezes
era preciso que houvesse comerciantes de fazenda
nas vidas
e que era muito importante que se chamassem
pedro
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os domingos são dias tristes
as segundas também
mas entre um dia e outro
quando não é um nem outro
pode haver alegria junto com a tristeza
talvez maior
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quando não se consegue dormir
convém ligar a televisão
mas quando não há energia
ou se está hospedado em casa de amigos
então não se pode ou deve
ligar a televisão
e convém ficar sentado
olhando os dedos do pé
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se há uma certeza no mundo:
o sono
e as compras pela internet
sempre chegam com atraso
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amava-o
e/ou
amava-se
?
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amavam um ao outro
e viam beleza
numa determinada canção antiga
da liza minnelli
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o outro pensa em qual será
o limite dos maus
poemas
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o outro está numa posição
que já começou a parecer
desconfortável
mas tem medo de virar de lado
e a outra posição ser desconfortável
logo de cara
o outro só quer dormir
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o outro chora
demais
é um chorão
ha! ha!
quem viu o chorão?
levanta a mão
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no outro tudo dói
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por dois segundos
pensou ter dormido
e sonhado
com a rua direita
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como te dizer
você conseguiu muito rápido
ao levar um copo
a felicidade
que eu queria para mim
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uma frase:
eu o teria feito
eu
teria
está provado então
a vida é triste
mesmo
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mas às nove da manhã não se pode conversar com ninguém
ninguém conversa às nove da manhã
talvez os inquilinos do andar de cima
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ele levantou
foi ao banheiro
e fez cocô mole
estava muito triste
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há numa sala um quadrado de luz que o sol faz
ao cruzar a janela
eu acredito em quadrados de luz
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aí lembrou-se
(dentro do quadrado de luz)
já era essencialmente triste
antes de fazer cocô mole
e de não conseguir dormir
então, o que foi mesmo que aconteceu?
posted by MARCO DUTRA 05:40
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Segunda-feira, Julho 26, 2004
posted by MARCO DUTRA 18:04
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quebro meu silêncio
pra dizer que o silêncio muitas vezes
é uma coisa bonita
que não merece ser quebrada
silêncio colado com cola
não serve pra nada
eu diria
se fosse adília lopes
posted by MARCO DUTRA 17:18
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Quarta-feira, Julho 14, 2004
( )
posted by MARCO DUTRA 19:35
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- criar a comunidade "odeio as propagandas do unibanco"
anotado
...
agora eu bebo.
posted by MARCO DUTRA 19:34
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"and you revel in your psychosis, how dare you?"
vira
"e você brinca em seu psicanalista, como te desafiar?"
perdidos na tradução literalmente.
posted by MARCO DUTRA 19:32
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Terça-feira, Julho 13, 2004
todo mundo é uma máquina extraordinária.
assuntos a tratar: IGUAL A TUDO NA VIDA e MATADORES DE VELHINHA (títulos colocados em português em homenagem à nati).
posted by MARCO DUTRA 15:11
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Sexta-feira, Julho 02, 2004
chorei nos últimos quatro filmes que vi. o que diabos está acontecendo comigo?
HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN
sim, é ótimo. sim, a questão está lá - cuarón espalha relógios e espelhos pelo filme, já que ele sabe claramente do que está falando. nosso trio - com harry no centro, claro - precisa SE VER crescer. harry olha toda hora pra si mesmo, e não é narciso (apesar de ele, rony e hermione estarem lindos de morrer). estão lá os símbolos todos que no livro de j. k. rowling ficam até um pouco mais escondidos. mas são os relógios que assustam mais - o enorme pêndulo ameaçando cair na cabeça deles o tempo todo. tem um monte de coisa mal explicada. quem não leu o livro entende o formato do patrono final de harry? entende quem criou o mapa do maroto? esperemos extras no dvd. de qualquer forma: eles precisam voltar pra se salvar, isso se mantém. a seqüência final ficou absolutamente maravilhosa no filme, e acho que vou fechar aqui em quatro estrelas e alguns polegares pra cima. diversão de cabo a rabo. o mais curioso é que o filme parece mais bem dirigido nas cenas de ação do que nas conversas e nos momentos íntimos (acho que esperava o contrário do cuarón). o que mais? a trilha de john williams está, pela primeira vez na série, perfeita. "double trouble" para o oscar, assim como david thewlis. choro: o vira-tempo, o último patrono.
MONSTRA
depois de meia hora tentando me acostumar ao visual da charlize - que a diretora e a maquiadora fizeram questão de caracterizar como monstra mesmo - eu comecei a entender o ponto desse telefilme: "aqui está uma pessoa horrível. ela não tem culpa, esse horror se apossou dela com o passar dos anos, e poderia ter feito o mesmo comigo e com você. há casos em que a pessoa não consegue lidar com o mundo, e esse é claramente um deles (ora vamos, quem não sabe o que é não conseguir lidar com o mundo?). essa pessoa horrível é nossa heroína. merece a compaixão da câmera - a sua, portanto. mas não só. merece a compaixão da christina ricci, que (dentro do filme) vai tentar amá-la como você mesmo deve tentar." e aí está. trilha horrorosa, tiques de filme independente. no final, a tristeza do fracasso de toda a compaixão, e a culpa está ali dividida igualmente entre a monstra e o mundo. fico feliz, ainda consigo me divertir e chorar com telefilmes sobre pessoas horríveis que matam ou são mortas. vamos deixar as estrelinhas pra lá? choro: christina ricci não sabe o que fazer diante de uma charlize completamente acabada e - o que é pior - em crise existencial. logo depois charlize enfia ricci no ônibus e adeus.
CAZUZA
aí está um caso oposto ao de MONSTRA: o filme dá a cazuza toda a glória e toda a compaixão que o homem já tem. dá a ele, então, o óbvio, o esperado. o que ele merece, provavelmente, mas essa não é a questão. acompanha-se a trajetória de cazuza como se costuma acompanhar o globo repórter. ah, essa é a cena em que ele se descobre doente, ah, esse é o famoso show do canecão. é impossível não se cansar, aqui e ali, de tanta obviedade narrativa. acho particularmente insuportáveis os momentos "vejam como eram os anos oitenta". a coisa dos "filmes de era". "o filme retrata uma era". creio que BOOGIE NIGHTS seja o que melhor existe nesse sentido. motivo? bons diretores sabem construir personagens, saber dar ritmo a suas histórias, sabem usar símbolos. os anos oitenta desse filme não são exatamente falsos, mas são anos oitenta de mau cinema. e lá estão as notícias na tv como que pra dizer "sim, estamos num filme de época", como se fosse fácil assim. PORÉM. sim, tem porém. tem um monte de porém. porque o filme dá a cazuza mais que glória. dá bons atores. ótimos atores. atores que sobrevivem a qualquer construção simplista. eu não devia, a princípio, me identificar com ninguém nesse filme, mas me identifico com todo mundo (com a exceção de cazuza, que devia ser muito chato, um gênio chato). mérito dos atores e de quem os ajudou. tendo essas pessoas como base, o filme cresce. e tudo se justifica: recomendar aos pais - eu quero muito que meus pais vejam -, desenterrar cd's velhos, chorar um pouquinho. choro: marieta severo controla as lágrimas diante do filho moribundo. reginaldo faria (surpreendentemente parecido com meu próprio pai, até fisicamente) não consegue controlar as suas.
HOMEM-ARANHA 2
sam raimi é o rei dos diretores supervalorizados. depois de THE EVIL DEAD o que diabos ele fez de bom? nada. duas seqüências fracas do E.D., DARKMAN, um faroeste com sharon stone, um filme de esporte, um filme horroroso com cate blanchett, UM PLANO SIMPLES, HOMEM-ARANHA. erro atrás de erro. mas abro o jornal e leio, com certa freqüência, que ele é bom. não sei no quê. talvez em comprar ternos. aparentemente, no entanto, ele percebeu o tamanho do engodo que era e se esforçou um pouco mais. ["não basta ser genial, tem que se dedicar", como diria alfred molina.] porque, é preciso dizer, HOMEM-ARANHA 2 tem seus encantos. tem cenas bonitas, tem bons atores, tem bons diálogos, tem um bom vilão e - POR DEUS! - tem um pouco de RITMO, o que já é 70% de um filme. o primeiro não tinha NADA disso. esse aqui acaba com 127 minutos. poderiam ser 82 e o filme seria melhor. tem alguma barriga. mas é o tipo de coisa que se vê e diz "é, sem essa cena seria melhor", mas nada fatal. claro que é descartável: vi o filme há duas horas e já esqueci tudo, coisa que aconteceu também com os dois X-MEN, com HULK. aliás, alguém quer por favor segurar essas pessoas que ficam adaptando quadrinhos pro cinema? já deu, sabe. tá ficando tudo igual. bem-feito, comercializável, mas sem graça. esquecível. HARRY POTTER está aí pra provar que boa diversão pode não ser esquecível e dar dinheiro. e eu juro que mato quem vier falar que HOMEM-ARANHA é bom porque o herói é "humano". não tem nada "humano" ali. é um bicho que voa e defende americanos de outros bichos e articula palavras e se parece com o tobey maguire. só há um filme sobre super-heróis que é "humano" de verdade, e é CORPO FECHADO. mas isso acontece porque shyamalan é bom o suficiente pra saber do poder da inversão de conceitos: em vez de supostamente humanizar o herói (conceito errado desde sempre, já que heróis em geral estão em outro patamar, são "seres especiais" - e não me venham dizer que não são, eu leio gibis tá?), ele insere o elemento comic book com muito cuidado dentro de uma narrativa que é "humana" acima de tudo, acima de tudo sobre seres pouco especiais (estou odiando esse monte de aspas, mas são motivadas). choro: "you love me?" "i... don´t..." e, claro, na cena em que sam raimi cedeu a direção para algum gênio do cinema - o resultado foi doc ock escapando da mesa de cirurgia. é absolutamente inacreditável o que se pode encontrar no cinema quando se procura bem.
posted by MARCO DUTRA 05:28
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