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eu sou uma barata
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tentativa de diário
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Quarta-feira, Novembro 19, 2003
PREVENDO
dia nove de janeiro estréia o esperado KILL BILL. mas estou apostando mesmo em PETER PAN, que estréia no mesmo dia. dirigido por p. j. hogan (O CASAMENTO DE MURIEL, O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO, AMOR À TODA PROVA), o filme parece ter um visual bem interessante e... bem, estou no rio, com um pouco de sono. escrevo mais quando der.
posted by MARCO DUTRA 02:56
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Sexta-feira, Novembro 14, 2003
epílogo
volto pra casa de ônibus com um copo de licor de pêssego misturado com red bull na mão, e bebendo ao longo do caminho. já de pijama, digo adeus ao dia.
posted by MARCO DUTRA 03:52
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a noite de hoje 0 - a preqüência
PARTY MONSTER - como eu queria ver esse filme. macaulay culkin foi meu ídolo absoluto na infância e desde 1994, ano de RIQUINHO, ele não aparecia no cinema. agora ele volta glorioso, gay, viciado, quilos de roupa e de glitter - já em 1996 eu pensava em trazê-lo de volta em grande estilo numa adaptação de ALUNO INTELIGENTE, de stephen king, a ser dirigida por mim. infelizmente nenhum grande estúdio bancou o projeto e eu acabei desistindo. o conto foi filmado como O APRENDIZ, com brad renfro no papel principal. um bom ator, mas o roteiro era horrível. paciência. enfim, o fato é que ele voltou com força. num filme bem fraco, diga-se de passagem, uma espécie de A FESTA NUNCA TERMINA bem piorado, mas com uma ou outra cena memorável. ele e seth green estão em sintonia - e seth green está MUITO bem mesmo, mais sincero. macauley parece usar uma máscara, como se dissesse o tempo todo que aquilo é uma brincadeira, que ele jamais seria assim na vida. já se disse que esses filmes oitentistas costumam nascer mortos, sem graça. tendo a achar que A FESTA NUNCA TERMINA é o melhor deles, os outros todos têm problemas diversos, e PARTY MONSTER tem muitos problemas diversos. o "submundo", depois de zilhões de filmes, começa a perder a graça... mas não adianta, há macauley, seth, marilyn manson (!) e diana scarwid num filme que - como A FESTA NUNCA TERMINA - encontra uma energia inesperada na imagem captada em vídeo. meio que tem que ver (estréia no meio do ano que vem).
posted by MARCO DUTRA 03:35
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a noite de hoje 2 - marco vai para nova iorque
desço a augusta - sabe aquela rua em SEJA O QUE DEUS QUISER? - e entro no cineclube directv para a abertura do 11o FESTIVAL MIXBRASIL DA DIVERSIDADE SEXUAL (xulo me cedeu seus ingressos - obrigado, xulo). o lugar está cheio de drag queens, pessoas bonitas, pessoas loucas, pessoas gritando - e eu penso que não sou drag, louco e talvez nem seja bonito e entrar ali me dá vontade de ser tudo isso e eu prevejo que estar ali sozinho sem conhecer ninguém por várias horas não vai ser bom, vai ser triste. aí eu vejo umas pessoas conhecidas (oi, tudo bem, você por aqui, não sabia que você era gay, será que todo mundo que vem aqui é gay?), continuo na fila, subo a rampa e fico parado mais vinte minutos esperando a sala abrir. e as drags e as pessoas bonitas fazendo questão de mostrar que o festival da diversidade sexual é lugar pra gente alegre e muito viva. e os garotos héteros abraçando suas namoradas como se algo horrível pudesse acontecer caso elas se afastassem por dois segundos. e o dj tocando. e os rostos conhecidos (oi, estou aqui com a minha tia, sim, claro). começa a esquentar demais, muita gente, a sala abre e lá tem ar condicionado. sento num lugar meio ruim. a sala tem gente saindo pelas beiradas. do meio da multidão surgem andré fischer e suzy capó, os organizadores, andré com sua pose habitual de "sou gatinho não sou?" e suzy muito simpática, agradecendo os patrocinadores, sua namorada laura finocchiaro, sendo interrompida pelo andré, sempre meio torto (a antipatia não vem só dessa pose, vem também daquela coluna criminosa que ele escreve naquela revista criminosa que é a revista da folha). doze minutos de fala antes do filme começar (com um atraso total padrão de 72 minutos).
posted by MARCO DUTRA 03:15
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a noite de hoje
eu chego na 2001 vídeo porque a ju disse que a mulher lá precisa de freela e quer que eu me cadastre (seria bom trabalhar com a ju - de novo), eu preencho uma ficha (qual seu diretor preferido? seu ator? sua atriz? - perguntas difíceis quando se pensa nelas). preencho, bato papo com ela - a gerente - e saio atrasado - perco JOANA D'ARC DE ROSSELLINI - mas eu tenho UM PLANO B!
posted by MARCO DUTRA 02:54
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aquele roteiro que ganhou o concurso do rio... acho que ele precisa mudar. vocês me ajudam? o título não pode ser CONCERTO NÚMERO TRÊS, e a mulher não pode tocar flauta. tem que ser tudo menor, queria ajuda pra tirar pretensão da historinha, e deixar leve. já mudei bastante, mas ainda falta...
posted by MARCO DUTRA 02:44
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há uma tristeza constante e isso não é surpresa, ela vem e vai, às vezes fica um tempo, uma estadia pacífica quando não quebra nada, nenhum vaso de porcelana. quando ela sai de férias fica a idéia dela, e é como se ela estivesse ainda, e até a felicidade lembra.
posted by MARCO DUTRA 02:39
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Quarta-feira, Novembro 12, 2003
um texto ruim, mas tudo vem pra cá
mesmo ruim
posted by MARCO DUTRA 04:54
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DOGVILLE
lars von trier tem a maior capacidade de chamar atenção pra si mesmo, de fazer propaganda ideológica e tal, mas eu nem penso muito nisso ao lembrar da trilogia do coração de ouro - ONDAS DO DESTINO, OS IDIOTAS e DANÇANDO NO ESCURO, eu gosto deles. sempre achei esquisito DOGVILLE não fazer parte dessa trilogia, mesmo antes de ver o filme, principalmente porque parecia uma releitura de todos os temas envolvidos em DANÇANDO NO ESCURO (devo dizer que evitei ler sobre DOGVILLE, o que sabia antes de ver era o que não pude evitar ouvir). de qualquer forma, o que se dizia era que DOGVILLE (apesar de ser, pela quarta vez, um filme sobre uma mulher lidando com hostilidade e sacrifício) daria início a uma nova trilogia - AMÉRICA, TERRA DAS OPORTUNIDADES. isso me assustava. eu previa certa arrogância na abordagem, e logo pensava nas tosqueiras anti-americanas (ou, pior ainda, nas tosqueiras anti-cinema americano) que contumam pipocar por aí cobertas de elogios (todos sabem o que penso de VIOLÊNCIA GRATUITA). Mas lars fez DANÇANDO NO ESCURO, filme que, à época do lançamento, foi considerado digno representante do "novo cinema operário europeu", título que a princípio me pareceu exagerado, e hoje me parece adequado. pode ser exagero, mas o filme era mesmo crítico sem ser propagandístico, e se apropriava de formas clássicas do cinema americano (o melodrama, o musical) com humildade e algo que se poderia chamar de cinismo leve se não fosse tão doloroso. estava em jogo o domínio americano das mentes E dos bolsos dos estrangeiros, ALÉM da questão da "terra das oportunidades", tudo tratado com cuidado e inteligência. o filme era visualmente arrebatador TAMBÉM. é, DOGVILLE é visualmente arrebatador. lembro de ouvir coisas como "nossa, o filme nao tem cenário!", o que é a coisa mais ridícula. o filme tem cenário, um cenário absurdo de lindo. dizer que o filme é encenado num palco tambem diminui tudo. o "limbo simbólico" (como chamá-lo?) de DOGVILLE quase não é uma proposta de despojamento, lars von trier não disse "ah, vamos fazer sem cenário, o importante e a história!" prova disso é que o filme é TODO sofisticado, cheio de efeitos digitais e câmeras voadoras (aliás, li que o teto do estúdio não permitia que eles enquadrassem a cidade toda, então os planos voadores mais abertos são somas digitais, o que não deixa de ser impressionante). também não é um filme "teatral", por mais que a inspiração inicial possa ter vindo de brecht ou de ibsen ou dos "teleteatros" (alguém lembra deles?). o encadeamento das cenas, a decupagem, o desenvolvimento dos personagens, tudo é feito dentro da mais absoluta tradição cinematográfica clássica (a não ser que alguem ainda considere novo o estilo dogma de segurar a câmera). aí surge um dos meus primeiros problemas: o distanciamento do filme é um grande embuste. depois de dois segundos ninguém está pensando "meu deus! não há paredes!", estão todos envolvidos no desencadear melodramático das situações (o que não acontecia totalmente comigo em DANÇANDO NO ESCURO, apesar de, aparentemente, acontecer com o resto da população mundial). se brecht foi o guia espiritual do projeto, lars deveria entender que não é a historinha de PIRATE JENNY que importa, e sim O OLHAR, lars, O OLHAR. eu não estava lá nos anos 20 e 30, não vivi a depressão e não assisti peças de brecht em suas montagens alemãs originais, mas acho que por mais que eles não tenham atingido 100% do projeto de distanciamento pretendido, havia algo de diferente no tom. [obviamente estou dando opiniões muito pessoais aqui, mas talvez seja por isso que eu goste tanto da COMPANHIA DO LATÃO (de teatro em sp) - a pesquisa deles sempre girou em torno DO OLHAR e DO TOM, e por mais que nem sempre eles sejam bem-sucedidos, a pesquisa é sempre interessante.] pois bem, em DOGVILLE, a pesquisa, se há, não interessa. fora então com o papo de distanciamento, brecht, blablablá. lars contratou um diretor de arte dos bons, um elenco MARAVILHOSO e construiu mais uma fábula sobre intolerância, preconceito, hostilidade, crueldade - todos os seus temas preferidos narrados por john hurt (oscar pra ele?) como se fosse uma bela história infantil. as cenas de grace se arrastando pela neve são lindas, graficamente, narrativamente e tudo mais. o auge da fábula, aliás, se dá nesse momento, e é aí também o auge do filme (notem como nos melhores momentos lars não está falando dos americanos, e sim do comportamento humano em geral, do egoísmo - o sentimento-chave do filme). infelizmente ele não resiste ao impulso de brincar com as possibilidades narrativas de sua obra e joga no final mafiosos, assassinatos, vingança, carros antigos e um sol de papelão que sobrou do cenário do último filme de carlos saura, o que o enfraquece terrivelmente (principalmente porque nesse momento ele realmente está tirando sarro dos americanos e de seu cinema - com uma arrogância irritante, que aliás ele insiste em transformar em tema de um longo diálogo). parece, talvez, uma piadinha tarantinesca. tudo bem se o diretor fosse o tarantino, mas nao é. o público, aliás, se comportou exatamente como num filme de tarantino: riu, aplaudiu, gritou, torceu pelo banho de sangue. lars defende essa identificação do público com a violência ou ironiza em cima disso? não sei, mas as duas coisas seriam tolas. será esse mesmo o objetivo? fazer o público vibrar com a vingança, pra depois se arrepender ou não? bem, se ele está falando mal desse tipo de filme violento eu não gosto, porque eu admiro tarantino, coppola e O PODEROSO CHEFÃO - apesar de não amar nenhum desses. se ele realmente quer que as pessoas vibrem com o massacre daquela pequena cidade americana eu gosto ainda menos, porque ele está realmente infantilizando, ou melhor - perdão infantes -, ADOLESCENTIZANDO sua ideologia. vejam que ele ainda insere uma enorme discussão sobre a ARROGÂNCIA entre grace e james caan (mas ele não morreu no chefão 1?) meio que pra dizer que ele SABE O QUE ESTÁ FAZENDO - mas não adianta dizer que sabe o que está fazendo, o que aliás é bem óbvio em se tratando desse diretor, apenas pra continuar fazendo igual, com mais arrogância. depois de tudo ele ainda dá um jeito de, não sei como, enfiar um david bowie e umas fotos da grande depressão americana que podem muito bem ter sido tiradas hoje mesmo numa esquina da dinamarca (a proposta de jogar com o "realismo-naturalismo" vai direto pelo ralo nesse sentido). ao sair de DOGVILLE, um pouco arrebatado pela sofisticação visual do filme, não pude deixar de ficar um pouco triste também. percebi logo que a trilogia do bom coração realmente tinha acabado e que faria falta, e que o olhar de lars von trier agora era outro, um pouco mais duro e agressivo, menos sutil, menos bonito. arriscaria um pouco e diria algo que não gostaria de dizer: lars fez o jogo dos americanos e entrou na era dos sopapos. uma pena. pode funcionar pra alguns. mas ainda acho que: 1- no quesito "vamos demolir a sociedade americana?" o documentário A CAPTURA DOS FRIEDMANS foi muito mais longe e 2- no quesito "vamos discutir a vingança e a identificação ou não do público com ela?" o semi-esquecido ENTRE QUATRO PAREDES foi muito, muito mais longe. vejá só, são dois filmes americanos.
posted by MARCO DUTRA 03:00
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Segunda-feira, Novembro 10, 2003
o pedro aguiar - que está bravo porque eu não estou aí no festival - acaba de me dizer que as sessões começam às 13 na cpm (e vão até 17) e às 18 na casa frança brasil (e vão até 22).
então: ESPERA passa hoje pouco depois das seis (casa) e amanhã pouco depois das três (cpm). NOTÍVAGO passa quarta pouco depois das oito (casa) e quinta pouco depois das 13 (cpm). eu estava mais ou menos certo no post anterior.
e tudo isso é PROVAVELMENTE, porque não é muito organizado não.
posted by MARCO DUTRA 04:08
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cpm - eco, ufrj, av. pasteur 250, botafogo
casa frança brasil - r. visconde de itaboraí 78, centro (em frente a uma das entradas do ccbb, valeu nati)
sei apenas que na cpm-eco o horário é entre 13 e 18 horas e na casa frança brasil é entre 18 e 22 horas. não consigo descobrir a hora exata, mas tentarei... e vocês todos aí, tentem ir, preciso de vocês (andré, nati, jc, pedro, guilherme tristão, natasha, lia, todo mundo lá!). vou chutar que ESPERA passa hoje, segunda, às 18 (casa frança) e amanhã, terça, às 15 ou 16 (cpm)... e que NOTÍVAGO passa quarta às 20 (casa frança) e quinta às 13 (cpm). pela grade parece algo assim, mas não sei, não sei...
posted by MARCO DUTRA 03:45
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ATENÇÃO pessoal do rio de janeiro:
ESPERA, dirigido por mim, passa no vide vídeo:
10 / 11 - segunda (hoje!), na casa frança brasil
11 / 11 - terça (amanhã!), na cpm
NOTÍVAGO, meu da ju e do dani, passa também:
12 / 11 - quarta, na casa frança brasil
13 / 11 - quinta, na cpm
(os filmes concorrem ao prêmio do público, então seria legal se vocês pudessem ir lá votar... por favor!)
posted by MARCO DUTRA 03:33
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inspirado no grande JC, um júri composto por marco dutra e caetano gotardo realizou, pela primeira vez, uma informal premiação na 27a MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO. aqui está a lista final (os comentários - exceto os dos curtas - são de marco dutra, e pode ser que o sr. gotardo não os aprove...).
MELHOR FILME:
a captura dos friedmans, de andrew jarecki
- muito já foi dito sobre perseguição, preconceito, desintegração familiar - dentro e fora dos EUA. esse filme diz de novo, e faz todos os outros descerem um degrau na lista dos melhores.
MELHOR DIRETOR:
tsai ming-liang (adeus, dragon inn & a passarela se foi)
- um diretor muito forte e coerente segue com sua obra forte e coerente, agora no auge.
PRÊMIO DO JÚRI (empate entre três filmes sublimes):
1- a história de marie e julien, de jacques rivette (palavras do caetano no início: "que saco, ele conserta relógios e seu cão se chama nevermore..."; palavras do caetano no final: "meu deus, ele consertava relógios e seu cão se chamava nevermore!!!")
2- um filme falado, de manoel de oliveira (o tempo também é o tema desse - e a história, e a humanidade, e a ingenuidade, e a comunicação truncada entre as pessoas, e todos os temas que se possa imaginar - tudo está nesse filme)
3- distante, de nuri bilge ceylan (a câmera se move pouco e em geral reina o silêncio, mas há tanta vida no filme. não consigo pensar nele sem ter vontade de revê-lo)
MELHOR ROTEIRO:
as invasões bárbaras, de denys arcand
- o diretor desenterrou os personagens de O DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO (aliás, muito bom esse aí, direto do coração dos 80 - clara, tem como você pegar aí em vídeo?) e inseriu temas novos e uma dose enorme de pó lacrimejante. poucas pessoas saem não-comovidas (berlam, o forte, entre elas?).
MELHOR ATOR:
bill murray (encontros e desencontros)
- só vendo o filme da filha do coppola.
MELHOR ATRIZ:
lu yi-ching (o desaparecido)
- taiwanesa iraniana, completamente envolvente em seu desespero no filme dirigido pelo ator-fetiche do nosso diretor premiado.
MELHOR ATOR COADJUVANTE:
lucas biscombe (tempos de lobo)
- o garoto que faz o filho de isabelle huppert entra com força na cena final e faz o filme morno do haneke esquentar como o inferno.
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE (empate entre):
lyn shiao zamir & ronit elkabetz (alila)
- há muita coisa ruim nesse filme do amos gitai, mas há duas coisas estupendas: a chinesinha e a "cigana-policial". mais uma vez, só vendo.
MENÇÕES ESPECIAIS:
para o elenco de elefante (pela não-atuação) &
para emmanuelle béart (maravilhosa em dois filmes: anjo da guerra, de andré téchiné, & a história de marie e julien)
TRILHA SONORA:
philippe rombi, por swimming pool, de françois ozon
- piano e violão juntos? sim, ficou lindo.
CONCEPÇÃO VISUAL:
dogville
- a equipe de arte do filme fez algo realmente impressionante.
PRÊMIO "ISSO SIM É QUE É DISTANCIAMENTO":
a volta do filho pródigo - os humilhados, de straub e huillet
- interpretem à vontade.
PRÊMIO "ELES TÊM ALGO DE BOM MAS RESOLVEMOS NÃO DAR NADA":
vai e vem, de joão césar monteiro
pai e filho, de aleksandr sokúrov
naquele dia, de raoul ruiz
seu irmão, de patrice chéreau
PIOR FILME:
tirésia, de bertrand bonello
- sim, clara, neo não precisava ficar cego, isso me entristeceu terrivelmente - e o maior motivo foi a simples lembrança dessa bomba francesa com atores brasileiros do diretor do clássico o pornógrafo.
PIOR ATOR:
daniel del sarto (as alegres comadres)
- bizarro e perturbador.
PIOR ATRIZ:
ludivine sagnier (a pequena lili - tchékhov para os tempos modernos? videoarte?)
- mas até que ela se sustenta em swimming pool.
MELHOR CURTA:
staring girl, de alex e nico
- a origem dessa animação é um poema do tim burton. por favor, tim, faça de big fish e do remake de a fantástica fábrica de chocolate seu retorno ao primeiro time, por favor, sentimos sua falta!
MENÇÕES PARA CURTAS:
1- cartas da mãe (pelo bom uso das cartas de henfil, essas sim muito boas)
2- a passarela se foi, de tsai (por ser apenas um fragmento que constitui um epílogo de que horas são aí?, ampliando a visão sobre o mesmo)
3- fast film (destaque técnico)
PIOR CURTA NACIONAL:
9:32 am
- o horror. como seja o que deus quiser.
PIOR CURTA DE TODOS OS TEMPOS:
não encha a velha dama
- é mesmo.
posted by MARCO DUTRA 01:31
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Quinta-feira, Novembro 06, 2003
mas não antes de:
SEXTA-FEIRA 13
SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 2
SEXTA-FEIRA 13 3-D
SEXTA-FEIRA 13 - CAPÍTULO FINAL (PARTE 4)
SEXTA-FEIRA 13 - PARTE V - UM NOVO COMEÇO
SEXTA-FEIRA 13 - PARTE VI - JASON VIVE
FREDDY VS. JASON
posted by MARCO DUTRA 03:57
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em breve:
DOGVILLE
ELEFANTE
TEMPOS DE LOBO
posted by MARCO DUTRA 03:50
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MATRIX REVOLUTIONS
acontece sempre: você faz um filme legal, as pessoas esperam muito da parte dois, você se dedica pra caramba e faz da parte dois uma coisa maior e melhor, as pessoas esperam ainda mais da parte três e aí você já está cansado demais e já usou todas as boas idéias. GUERRA NAS ESTRELAS, DE VOLTA PARA O FUTURO... mesmo em O PODEROSO CHEFÃO, é muito comum. no caso de MATRIX, depois da grandiosa (e excelente) parte dois, restava sentar e esperar o óbvio: na parte três, os humanos venceriam as máquinas, voltariam à superfície e veriam o sol nascer novamente, com neo para guiá-los e ajudá-los a começar do zero. além disso, seriam esclarecidas todas as dúvidas a respeito do tênue limite entre o "mundo dos homens" e o "mundo das máquinas", e saberíamos, enfim, qual a extensão do poder de neo (o porquê afinal de ele conseguir destruir as sentinelas em sião, e o que a matrix acha dele e do que ele representa mesmo depois de ter previsto sua chegada e todas as "revoluções" humanas). tudo isso certamente seria visto no capítulo derradeiro - que estreou mundialmente hoje, dia 5 de novembro de 2003. pois bem, surpresa: nada disso acontece em REVOLUTIONS. a maior qualidade do filme é justamente: evitar a catástrofe, o clichê maior, enquanto distribui ao longo de 120 minutos (já descontados os dez de créditos finais) as poucas boas idéias que restaram. aí vão elas (ATENÇÃO, SPOILERS ADIANTE): ninguém duvida mais dos poderes de neo exceto os personagens chatos que merecem cair no esquecimento já. todos sabem que ele é jesus, então nada mais certo pra ele que o sacrifício final pela humanidade (uma cena muito bonita, aliás). o encontro entre neo e o deus das máquinas, a versão "real life" do arquiteto - nos créditos finais o nome é "deus ex machina" -, é possivelmente a melhor cena do filme. o maior vilão é smith, claro, o grande vírus-demônio, motivo da união entre neo e os robozinhos; e a batalha final entre o escolhido e seu oposto é algo como uma mistura de um gibi do superman com OS DEZ MANDAMENTOS. disseram que a cena é basicamente uma auto-paródia. discordo completamente. esse episódio da trilogia realmente beira a auto-paródia várias vezes, mas não nessa cena (nela o filme pulsa, tem vida, é novo), e em momento algum dos trinta minutos finais. os wachowski escolhem basicamente não resolver as dúvidas antigas e - surpreendentemente - apontam uma solução inesperada (e genial?) para a guerra: um acordo de paz. o plano final é uma paisagem digital pintada por um programa - uma criança indiana, num capricho desnecessário dos diretores - em homenagem a neo. nele, o sol nasce conforme o clichê... mas não é o sol de verdade, só uma idéia de sol. pouco antes desse plano entrar o arquiteto fala para o oráculo: "quanto tempo essa paz vai durar?" e o oráculo diz qualquer bobagem que - desde édipo - oráculos costumam dizer. é muito difícil acreditar na paz em MATRIX, como talvez o seja no mundo real, digo no NOSSO mundo real. essa paisagem é quase mal-feita de tão mentirosa (e isso é bom, é um elogio). a paz não deve durar, mas os diretores e toda a equipe juram que esse é mesmo o último filme. infelizmente é o mais fraco - mas poderia ser pior, muito pior, e eu vou viver com essa idéia, rezando pra que não façam mais nenhum episódio e estraguem a coisa toda de vez. não vou poder brigar dessa vez com o povo que odiar o filme, porque acho que esse aqui pode talvez ser odiado com certa razão por um único motivo: a luta da insuportável população de sião contra as sentinelas ocupa três quartos do filme. temos que suportar uma cena enorme que teve a pachorra de custar mais de 30 milhões de dólares e nos mostra todos os possíveis clichês de futuro pós-apocalíptico cinematográfico (coisa que já estava em RELOADED, mas lá durava uma ou duas cenas... aqui se prolonga ad infinitum).
posted by MARCO DUTRA 03:06
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Segunda-feira, Novembro 03, 2003
um fragmento do dia 25 de outubro:
muito bem. passaram dias desde que a gente se falou pela última vez, então é possível que você ache que eu tenho muito pra contar, o que não é verdade agora - como não costuma ser verdade nunca, pelo menos no que me diz respeito. algumas vezes, na rua, no cinema, por aí, eu penso "eu poderia contar isso que aconteceu agora, escrever sobre isso, comentar o assunto, as pessoas poderiam achar legal e até bonito e poderiam se identificar." mas é também comum eu não conseguir voltar pra casa às vezes (ou porque o filme acabou tarde, ou porque amanhã cedo eu tenho que fazer algo por aqui então é melhor ficar), e também é comum eu voltar e não querer usar o tempo pra escrever. acontece ainda de eu voltar, resolver escrever, sentar no computador e ele travar depois de alguns parágrafos (isso tem acontecido demais, pra falar a verdade). o que eu quero dizer é que não importa eu pensar que tal coisa que me acontece é boa matéria pra conto ou roteiro ou post, porque algumas horas depois, na maioria das vezes, o momentum inspirador desaparece em alguma gaveta suja da cabeça (alguém viu O APANHADOR DE SONHOS? - um filme MUITO subvalorizado, acreditem. pois é daquele jeito mesmo). nesse instante, por exemplo, sentei aqui pra escrever - estou na casa da ju, num raro momento de descanso da mostra de cinema 27, esperando pela chegada da mattú, uma cantora de forreggae cujo show estou editando. seria possível escrever até a hora de sair para o filme das 19:10 no cinearte 1 - DISTANTE (UZAK), da turquia, premiado em cannes -, e considerando que a casa da ju é na rua sergipe, perto da consolação, a uns dez, quinze minutos de caminhada do conjunto nacional, e que agora são 16:23, eu teria mais de duas horas de tempo pra trabalhar o blog, roteiros, contos e tudo o mais que eu quisesse. mas isso não vai acontecer porque daqui a pouco a mattú vai chegar e interromper esse saudável fluxo. não estou culpando ela, claro, principalmente porque se não tivéssemos essa reunião eu teria ido até o ibirapuera ver a exposição A BIGGER SPLASH, dos artistas ingleses, e não estaria aqui escrevendo esse fluxo (saudável). do jeito que o destino quis ficou assim: eu vou perder os ingleses - que ficaram meses na oca, sou muito negligente com esse tipo de coisa, você bem sabe, mas não consigo deixar de me importar um pouco -, vou ver a cantora de forreggae e anotar algumas coisas que ela sugerir pro show, sair pra ver UZAK e ir pra casa, pra minha. como bônus, o destino fez com que mattú se atrasasse e me permitiu escrever isso aqui, isso que não passa de uma reflexão sobre essa tarde, esse período posterior ao almoço (um macarrão oferecido pelo caetano à sua mãe adoecida, que eu comi também já que estava ali e estava adoecido também, não muito adoecido, mas um pouco gripado) e anterior ao UZAK. aliás, sobre essa coisa de eu estar doente... é engraçado porque todo ano na mostra eu corro pela cidade de um jeito que quase me mata. ano passado eu lembro que assisti ao DOMINGO DE MANHÃ (seria esse mesmo o nome?), do otar iosseliani, no arteplex na frei caneca e tive exatos doze minutos pra chegar até a sala uol na fradique coutinho pra ver OS FERROVIÁRIOS, do ken loach - a pé, claro. ou melhor, de ônibus. a sorte é que tinha um curta antes do ken loach. esses curtas várias vezes me salvaram de perder o filme... A CAMPAINHA TOCA. é mattú. são 16:35.
posted by MARCO DUTRA 16:34
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