eu sou uma barata
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tentativa de diário

Segunda-feira, Junho 30, 2003

se apenas ele fosse um gigante azul
e o epílogo fosse em atlântida
e não na venezuela
então quem sabe
- hulk! oh hulk! -
- tarzan da modernidade! -
queríamos apenas um filme bom
sem cães-hulk
e o nick nolte
ganhamos você, bebê chorão
se apenas ele fosse um gigante rosa

(escrito em parceria com maggie rojas)


posted by MARCO DUTRA 05:39
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gostaria de agradecer à sra. woolf pelo simpático comentário alguns posts abaixo. sei que a sra. teria um blog se vivesse nos nossos dias, e sei que não teria se matado se pudesse receber, nos anos 40, a ajuda de nossa amiga ana - ana franil! (essa piada foi retirada do livro ANEDOTAS PARA LER AO VASO, ainda não publicado, de autoria do casal medo).


posted by MARCO DUTRA 05:29
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VAMOS AO CINEMA?

afinal, estamos num momento em que milhões de filmes interessantes estão em cartaz. temos BONS filmes europeus como TAURUS (já mencionado), ROMA, do Fellini (absolutamente imperdível) e O FILHO (filme belga com uma atuação masculina impressionante). temos BONS blockbusters como MATRIX RELOADED e... bem, serei obrigado a manter nosso amigo gigante verde fora dessa lista. juro que isso me machuca, sou fã de ang lee há muitos anos. temos os argentinos O FILHO DA NOIVA e KAMCHATKA ainda em cartaz, assim como os nacionais O HOMEM QUE COPIAVA (filme altamente problemático, mas necessário) e DESMUNDO (surpreendentemente: um filme ÓTIMO! obrigado, sabina anzuategui - oribela.tripod.com). temos os deliciosos A FESTA NUNCA TERMINA e EMBRIAGADO DE AMOR na área das comédias alternativas. para os pimpolhos, temos LEITÃO em cartaz (não assisti, mas se for como TIGRÃO já vale mil ingressos) e a pré-estréia do será-que-é-tão-bom-quanto-os-outros-da-pixar PROCURANDO NEMO. e temos dois filmes sublimes já em sessões de pré-estréia: A VIAGEM DE CHIHIRO (animação vencedora do oscar, chihiro é uma espécie de alice japonesa, e o filme até lembra algumas aventuras mais surreais dos velhos e saudosos estúdios disney) e LONGE DO PARAÍSO, de todd haynes, diretor de VELVET GOLDMINE e de A SALVO (um dos melhores e menos vistos filmes de todos os tempos, pegue-o hoje mesmo na locadora mais próxima). sobre FAR FROM HEAVEN não vou dizer nada. vi o filme na sexta e ainda não consigo falar sobre ele sem diminui-lo, mas digo que será o melhor filme em cartaz a partir de 4 de julho. portanto, comemorem a independência assistindo à juliane moore em... LONGE DO PARAÍSO!


posted by MARCO DUTRA 05:02
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Sexta-feira, Junho 27, 2003

as pombas que catam os restos sempre me pareceram material bom pra um poema
agora está escrito


posted by MARCO DUTRA 04:55
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TAURUS me parece ser o melhor filme em cartaz em São Paulo nesse momento. A estréia de HULK pode mudar tudo, não é mesmo? mas lênin sentado quieto com sua mulher ao lado, fazendo pouquíssima coisa além de respirar... essa imagem não me sai da cabeça. podem dizer que o que sokúrov faz é de uma facilidade tremenda - hitler simpático, lênin louco... mas tanto MOLOCH quanto TAURUS superam o caráter "cenas de uma vida" logo em seus primeiros minutos. quase não há biografia nesses filmes. sokúrov lida com a imagem que temos dos ditadores, com o que pensamos deles, e usa esse pré-conhecimento como uma espécie de gênese para o personagem. a cena em si é qualquer outra coisa. um banho. um passeio pelo jardim. todos tomam banho e todos passeiam, mas sabemos que aqueles ali têm algo de diferente... é meio um choque. e é maravilhoso.


posted by MARCO DUTRA 04:33
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hoje eu fui tentar ver o gigante verde. tipo, o guia da folha dizia que haveria uma maldita sessão às 23:50 no shopping jardim sul, sala 9 (a do projetor digital). ok, lá vamos nós, mala e cuia, ver o gigante verde. a sessão não existia, nunca existiu. querido guia da folha, esse foi um erro grande demais. temo ter perdido a confiança para sempre. não sei se poderei voltar a amá-lo. você foi minha bíblia nos últimos anos. quero poder continuar com você, mas estou cheio de dúvidas. afinal, o jardim sul é TÃO longe. por favor, não faça isso nunca, nunca mais.


posted by MARCO DUTRA 04:14
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Ele odiava a idéia de fim

Era tão triste algumas vezes, mas tão triste, que ia até o armário da cozinha e pegava a caixa de remédios com a tarja preta e pensava em engoli-los todos. Odiava, sim, a idéia de fim, mas admirava o fim supremo como estrangeiros que, no Rio, maravilham-se com os morros altos no meio dos prédios (em São Paulo os estrangeiros não ficam maravilhados). O fim supremo era tão diferente dos outros fins que era quase um começo. Gostava de pensar assim: em frases enigmáticas elaboradas nos momentos de paz, quando não estava triste demais. Os remédios o levariam sem que ele percebesse, e ele poderia simplesmente fingir que ia dormir. Mas é que o entristecia ainda mais a idéia de morrer triste. Algo o enchia de pudor e ele desistia da caixa de remédios tarja-preta. Arranjava outras soluções. Saía da casa para andar ao redor do quarteirão com esperanças de que a tristeza ficasse pelo caminho. Chorava muito durante essas voltas porque chorar em casa, de alguma forma, fazia parecer que estava numa prisão. Lembrava com freqüência que todo suicídio é um ato de amor enorme, e ele se amava o suficiente para dar a si mesmo o fim supremo que era o oposto de todos os fins. Uma vez, num momento de paz, escreveu que o que o deixava bem era ser chamado para o almoço. Levantar da mesa é que era ruim porque ele odiava a idéia de fim, então tratava logo de pegar na geladeira uma taça de sagu e ia para o computador ou para o telefone, de modo que quando acabava a sobremesa (e com ela o almoço), já outra coisa tinha começado, outra parte do dia. Vivia assim a disfarçar os finais - como quando ia ao cinema e começava a falar logo que o filme acabava, pois era horrível aquele FIM enorme escrito na tela. Lera que FIM era a palavra mais amada e mais odiada pelos escritores. Ele não amava nada. Ele vivia um princípio, uma eterna estase, e às vezes não começava algumas coisas só pra não terminá-las. Odiava no dia a hora de dormir: um fim do qual não se podia escapar. Deitava sem sono, que quase não sentia sono, e lá ficava a entristecer e a morrer aos poucos, os cabelos brancos aparecendo cedo na cabeça. E tinha pernas e tinha braços, e enxergava bem. Entristecia mais ao pensar que se tivesse menos do que tem, menos um braço ou um olho, menos dinheiro - talvez nesse caso não vivesse, ou talvez fosse de tal forma feliz que não temeria finais, só alienígenas. Tinha medo de ser alienígena, ele mesmo - um medo falso e agradável. Tinha medo de verdade de nunca deixar de ficar triste (mas o medo mesmo existira sempre, como a tristeza - assustara-se com isso. Sempre lá, nunca longe). Quando sorria estava mentindo. Uma vez sorrira de verdade, mas fazia tempo. Parecia para todos que era ou muito triste ou muito feliz, que é afinal como parecem aos outros as pessoas mais reservadas. A tristeza era tão profunda que ele chegava a não notá-la às vezes, e era então feliz. Aprendera que o normal era estar triste. Amava estar feliz como nunca amara qualquer pessoa. Então, num dia de paz e fingimento, amou uma pessoa que o fez feliz por mais tempo do que era suportável. Quando ela o deixou, como afinal deixam-nos todos os amores, matou-se - pulou de um lugar alto e a dor foi tão rápida que quase não foi dor, e sim o oposto. Cometeu o ato ínfimo e começou. Ali no chão era um começo.


posted by MARCO DUTRA 04:08
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Terça-feira, Junho 24, 2003

oi gente. meu celular está de volta.
9185-8084.

não sei se eu estou.


posted by MARCO DUTRA 23:43
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Segunda-feira, Junho 16, 2003

me inspirei no blog do JC e postei a letra de uma música de stephen soundhein feita para o musical COMPANY em 1970. dizem as más línguas que soundhein inspirou-se no comportamento de ninguém menos que margareth rojas para escrever a letra da bela THE LADIES WHO LUNCH.


posted by MARCO DUTRA 04:02
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THE LADIES WHO LUNCH

Here's to the ladies who lunch -
Everybody laugh.
Lounging in their caftans
And planning a brunch
On their own behalf.
Off to the gym,
Then to a fitting,
Claiming they're fat.
And looking grim,
'Cause they've been sitting
Choosing a hat.
Does anyone still wear a hat?
I'll drink to that.

And here's to the girls who play smart -
Aren't they a gas?
Rushing to their classes
In optical art,
Wishing it would pass.
Another long exhausting day,
Another thousand dollars,
A matinee, a Pinter play,
Perhaps a piece of Mahler's.
I'll drink to that.
And one for Mahler!

And here's to the girls who play wife -
Aren't they too much?
Keeping house but clutching
A copy of LIFE,
Just to keep in touch.
The ones who follow the rules,
And meet themselves at the schools,
Too busy to know that they're fools.
Aren't they a gem?
I'll drink to them!
Let's all drink to them!

And here's to the girls who just watch -
Aren't they the best?
When they get depressed,
It's a bottle of Scotch,
Plus a little jest.
Another chance to disapprove,
Another brilliant zinger,
Another reason not to move,
Another vodka stinger.
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhh!
I'll drink to that.

So here's to the girls on the go -
Everybody tries.
Look into their eyes,
And you'll see what they know:
Everybody dies.
A toast to that invincible bunch,
The dinosaurs surviving the crunch.
Let's hear it for the ladies who lunch -
Everybody rise!
Rise!
Rise! Rise! Rise! Rise! Rise! Rise! Rise!
Rise!


posted by MARCO DUTRA 03:54
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(algo de fato acontece. mas isso é coisa íntima, muito minha)

ANTES DE MAIS NADA: AS DESCULPAS.

por favor, perdoem minha ausência. acontece que houve alguma vida em minha vida recente, e isso meio que me afastou desse simpático diário.

AGORA, A GLÓRIA.

falar do festival de cinema universitário agora pode ser tolo, já que uma semana se passou desde seu término, mas é preciso retomar alguns fatos. NOTÍVAGO, como ESPERA, foi um sucesso absoluto no festival. paulo halm, roteirista prestigiado e frequentador da noite carioca, assim definiu o vídeo de horror: "a melhor coisa que vi recentemente - não no festival! recentemente!". o organizador guilherme tristão defende que "o que surpreende no filme é a delicadeza com que a mulher resolve a tristeza de sua perda, mais até do que o clima angustiante de suspense que vocês conceberam tão bem". david baldham, da variety, considera o filme "dazzling and puzzling (...) the masterpiece of a decade (...) puts in evidence the true genius of the brazilian cinema".

o filme não foi premiado. mas até aí, DOGVILLE saiu de cannes de mãos vazias também.

o roteiro de CONCERTO NÚMERO TRÊS foi premiado e será filmado no segundo semestre. a todos os que leram e opinaram, meus agradecimentos sinceros.


posted by MARCO DUTRA 02:16
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Sábado, Junho 14, 2003

algo...

algo estah acontecend...


posted by MARCO DUTRA 03:19
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