eu sou uma barata
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tentativa de diário

Sábado, Dezembro 28, 2002

eu devia estar chorando. de fato, tudo não passou de uma TENTATIVA de diário. não foi um diário em momento algum. não houve revelações, relatos, experiências. no mais, palavras soltas que concretizam emoções com a sutileza de um carimbo. está aí pras pessoas lerem e comentarem. não que alguém vá se dar o trabalho de fazer isso um dia. de qualquer forma, não vejo porque não dizer aqui que gosto muito dos meus amigos, da ju e do cae, do dani, que eu sempre deixo escorregar por entre os dedos, da carla, do edu gomes, que apareceu agora todo lindo e atropelado e dançando rita lee no escuro. ah, gente, eu amo demais todos vocês. se vocês soubessem quanto. talvez a gente não se fale mais esse ano. talvez eu vá pro sul amanhã mesmo. na volta a gente continua de onde parou. novo edu, se você quiser isso pode valer pra você também. eu devia estar chorando.


posted by MARCO DUTRA 02:26
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isso não devia estar aqui.


posted by MARCO DUTRA 02:09
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solaris

solaris caetano

solaris eu te amo


posted by MARCO DUTRA 01:59
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quanto das nossas vidas podem ou devem aparecer aqui no blog? tem coisas que eu queria falar mas não posso porque eu não sei quem vai ler. é um risco, mas é excitante.


posted by MARCO DUTRA 01:56
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hoje, uma grande tristeza. o caetano sabe de tudo e eu tenho tanto sono, talvez vocês devam perguntar a ele. seguindo a trilha de j.k. rowling, dou algumas palavras-chave que podem ajudar a desvendar minha crise.

ANO-NOVO

VIAGEM

SUL

MEDO

PASSADO NEGRO

SEXO

ÁGUAS-VIVAS

that´s all, folks.


posted by MARCO DUTRA 01:51
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entre a madrugada do dia 12 (meu último post) e a de hoje, 15 dias se passaram. passou a apresentação da cena do tó, que acabou sendo bem legal, e passou também o meu vigésimo segundo natal, que foi no mínimo interessante: dei a mim mesmo a coleção quase completa dos cd´s de nick cave e o cd de mary poppins; ganhei cat power, o mágico de oz, a noviça rebelde (original cast!) e dvd´s de ben-hur e doutor jivago, além de roupas. dei presentes também, comi bem e fui feliz. a refilmagem das cenas do ovni em O LENÇOL BRANCO deram muito errado, mas acho que todo mundo aprendeu a viver com isso.

passou tudo e continuo um caco, mas ainda estou de pé.

e mais leve: hoje tirei o cabelo e a barba. um novo eu, das cinzas.

vi as duas torres. gollum merece o oscar.


posted by MARCO DUTRA 01:43
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Quinta-feira, Dezembro 12, 2002

a ju quer que eu escreva, mas eu estou tão cansado, e tem essa cena pra dirigir... final de ano é sempre tão cheio de coisas pra fazer, eu fico bobo.


posted by MARCO DUTRA 01:58
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Segunda-feira, Dezembro 09, 2002

eu amo minha família.


posted by MARCO DUTRA 03:44
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a faixa era para ser um desses filmes grandes. foi confeccionada em setembro de 2001.


posted by MARCO DUTRA 03:44
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a faixa

Luciana, 23 anos, e Daniela, 29 anos, irmãs, estão pendurando uma faixa entre duas árvores no meio da madrugada. Daniela culpa Luciana por ter quebrado a máquina que deveriam ter usado para imprimir a faixa. Ela teve que ser elaborada à mão por causa do problema. Está, no entanto, muito bem feita, e diz: "Martins, a culpa não foi sua, foi eu que não soube alcançar o caminho do seu coração". Elas terminam o serviço e vão embora no carro de Daniela, ainda discutindo. dia 1. O sol nasce; um garoto de sete anos de idade corre ao longo de um penhasco. Vemos que se dirige a um grupo de pessoas mais à frente. Um jovem de vinte e dois anos está ameaçando jogar-se do penhasco. Dois bombeiros tentam se aproximar. Lá embaixo, um bairro tranqüilo na zona norte de São Paulo acorda e muitas pessoas curiosas andam na direção do penhasco. Entre elas estão Daniela e seu filho de um ano, este sendo carregado por uma moça identificada como Juliana, que toma conta da criança enquanto Daniela trabalha, durante a semana. Elas olham para cima, para o suicida, reconhecem nele seu vizinho e lamentam. Sabe-se que não é a primeira vez que tenta se matar. Daniela despede-se e sai para o trabalho. Daniela e Luciana estão sentadas em um banco numa pequena praça próxima ao lugar onde a faixa está pendurada. Elas observam o movimento e falam pouco. Daniela conta, um pouco abalada, a história do seu vizinho para a irmã. Na frente da faixa, do outro lado da rua, há uma casa, o número 232, com todas as janelas fechadas. Daniela diz que não podem mais perder tempo ali, que devem voltar, que há muito a fazer. Luciana insiste que fiquem mais um tempinho. Uma das janelas da casa é aberta por uma senhora idosa. Ela some, volta com um tapete e o coloca no parapeito da janela. Vê a faixa. Olha para um lado e outro da rua. Daniela sorri: "ela já viu". A senhora desaparece outra vez e não volta. Daniela levanta e anda na direção do carro. Chama Luciana. Um homem abre outra janela e vê a faixa de imediato. Sorri. Luciana entra no carro e continua olhando para a casa. O homem sai ainda de pijama pela porta da frente e, com uma pequena escada, tira a faixa das árvores. Só Luciana vê esse último gesto, enquanto o carro está parado num semáforo. Daniela ainda fala do seu vizinho, de como os pais se preocupavam com ele e tudo mais. Luciana está sozinha no escritório quando Daniela chega com o almoço num saquinho do McDonald's. Luciana diz que recebeu um telefonema da moça que encomendou a faixa; ela reclama porque a faixa foi escrita à mão e porque há nela um erro de português. Luciana diz que assumiu a culpa e devolveria o dinheiro; alega que a irmã está numa fase próspera e pode abrir mão de uma quantia tão pequena. Daniela fica calada e fecha a cara. Ela lembra que insistiu que as duas checassem um dicionário. Daniela pede para Luciana levar o dinheiro na manhã seguinte, ela mesma estaria ocupada colocando adesivos em máquinas de refrigerante. As duas comem seus lanches. Daniela termina o seu bem antes da irmã. À noite, Luciana escolhe um vídeo em sua locadora, a assistente ao seu lado fazendo recomendações. Luciana aceita a dica e leva GLADIADOR. dia 2. No outro dia Luciana volta ao banco da praça, senta e observa o número 232. O homem sai pela manhã por volta das oito, de carro. Ela levanta e anda um pouco pela mesma rua. Um quarteirão abaixo ela pára em um prédio e toca o interfone. Diz para o zelador que veio devolver o cheque da moradora do 604. Ele a faz esperar e, depois, pede que deixe o cheque na portaria, que a moça não está. Luciana recusa-se a deixar o cheque porque a moradora deixou claro que só estaria lá naquele horário. Ela vai embora andando até o metrô Santa Cecília, duas quadras abaixo. As irmãs realizam um trabalho na Lapa, adesivando furgões de uma empresa de rádio-táxi; Luciana revela-se muito amiga de um de seus clientes, um homem negro muito simples e conversador. Luciana parece menos tímida ao falar com ele. À noite, voltando, Daniela deixa a irmã em seu apartamento. dia 3. No dia seguinte Luciana segue o homem com o carro da irmã e descobre que ele deixa o seu carro estacionado próximo à estação do metrô. Ela volta ao prédio para deixar o cheque e pára o carro na frente da garagem; a moradora novamente não está. Um morador buzina para que Luciana tire o carro do caminho. Ela deixa o cheque na portaria e tira o carro, não sem deixá-lo morrer uma vez. Luciana e Daniela brigam no escritório. Daniela acusa Luciana de ser negligente com os negócios, e está brava por causa do carro que Luciana pegou sem pedir. Daniela dá um sermão em Luciana, diz que ela deve voltar a estudar e tal. Luciana não parece se importar. As duas discutem a viagem que Daniela quer fazer no próximo fim-de-semana. Daniela quer deixar o bebê com Luciana. Ela diz várias vezes que tudo bem, tudo bem. Chega chorando em seu apartamento, come um pedaço de pizza, apaga todas as luzes, põe música alta e pula em sua cama até se cansar. Dorme. dia 4. Outro dia. Luciana liga para a irmã e diz que está mal, que não vai trabalhar. Ela segue o homem no metrô. Descobre que ele desce na estação Sé e anda até um prédio na rua Direita. Luciana anda pelo centro durante o dia todo. Entra no Municipal na hora do almoço e ouve, de longe, a orquestra tocando com um pianista. Fica na frente do prédio na rua Direita esperando que o homem saia, mas ele não sai. Já escureceu, ela toma o metrô de volta. Daniela deixa seu filho e seu carro com Luciana no final do dia. dia 5. É agora um sábado e Daniela viajou. Luciana está sozinha com o bebê no escritório. Ela sabe a senha para o serviço de e-mails da irmã e, entristecida, lê mensagem por mensagem. Brinca com o bebê sentada no chão, toca um disco de Sandy e Jr. Dormem no escritório. dia 6. No domingo de manhã ela tenta acordar o bebê. Ela teve uma idéia. Coloca outro disco infantil e começa a juntar o material de que precisa. Mais à tarde, ela confecciona à mão outra faixa, e ela e o bebê estão muito sujos de tinta. De madrugada ela pendura sozinha a faixa no mesmo lugar da outra, o bebê dormindo no carro. A nova faixa diz: "Martins, a culpa não foi sua. Eu continuo amando você". dia 7. Na manhã seguinte o homem vê a faixa e a tira, agora sem sorrir; ela segue o homem de carro. Entra com ele no metrô e fica bem perto. Alguém lhe oferece um banco para sentar com o bebê. Ela desce na Sé e entra com ele no prédio da rua Direita. Sobe com ele até o sétimo andar e caminham juntos por um longo corredor. Ela o segue através de uma porta de vidro com a palavra "Servitec" e o observa cumprimentar uma secretária. O homem se vira e pergunta se pode ajudar Luciana, pergunta por que ela o estava seguindo. Luciana observa a salinha, um pequeno escritório com uma secretária, um computador e uma samambaia. O bebê começa a chorar em seu colo. Ela se vira e sai para o corredor. O homem senta em sua mesa e começa a organizar seus papéis. À noite, Luciana volta para deixar o bebê na casa da irmã. Vê um grupo de pessoas perto de um penhasco. Encontra a vizinha que costuma cuidar do bebê durante a semana e pergunta onde está Daniela. "Procurando vocês, o dia todo, como louca. Ela achou uma fita do vídeo que era pra você devolver faz um tempão e estava brava porque você sumiu com o César". Luciana mal ouve, pergunta o que aconteceu. A moça diz que um rapaz vizinho cometeu suicídio.


posted by MARCO DUTRA 03:37
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sem cor - 03/03/2002

(ela ergue-se rapidamente
estica seu corpo jovem e anda ao redor da mesa em passos pequenos)
o vestido curto, muito velho e rosa
herança da irmã mais velha que morrera anos antes
carrega ainda algumas imagens quase fotográficas -
duas jovens ao lado de uma piscina vazia cheia de folhas secas
estáticas, quase fotográficas
uma só das meninas iria, pouco depois do tempo congelado, levantar o braço na tentativa de alcançar qualquer fruta cinzenta inclinada a soltar-se do galho

e cair

mas ela não sabe de nada
ela é agora uma sombra sem memória e sentimentos

debaixo da falta de cor dessa lembrança o vestido é certamente rosa


(depois de ficar tonta ela sobe na mesa
deita e sente o teto rodar devagar
num movimento falso
finito, repetitivo e fugaz
como tudo)


posted by MARCO DUTRA 03:18
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Sexta-feira, Dezembro 06, 2002

SENHORA: Mas ele garantiu que eu ganharia meu peso em alcatra.
PROPRIETÁRIO: Bem, madame, não há nada que eu possa fazer quanto a isso.


posted by MARCO DUTRA 04:36
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eis que adio mais uma vez
a conversa sobre a beleza da simplicidade


posted by MARCO DUTRA 04:28
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vazio

meu vocabulário não é extenso
mas cuido para que não soe tolo
pueril ou limitado
como uma lâmpada fluorescente
piscando numa modorrenta sala de aula
cheia, a lâmpada, de medo
tédio, desamparo
e vazia ela de todas as outras coisas
que constituem a vida


posted by MARCO DUTRA 04:25
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Quarta-feira, Dezembro 04, 2002

ainda preciso aprender a entrar aqui todos os dias.

eu queria tanto falar sobre a beleza da simplicidade, mas já é tarde, então simplesmente transcrevo abaixo um trecho de solaris, de stanislaw lem.

"...
- Deve ser algum tipo de sonho. - Depois, retomando o controle: - E agora vamos apagar a luz e esquecer nossos problemas até de manhã. Amanhã poderemos inventar alguns novos, se você quiser. Tudo bem?
Ela apertou o interruptor, e a escuridão caiu entre nós. Esticado na cama, senti sua respiração quente ao meu lado e passei os braços em volta dela.
- Mais forte! - sussurrou ela então, depois de uma longa pausa: - Kris!
- O quê?
- Eu o amo.
Quase gritei."


posted by MARCO DUTRA 01:26
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Segunda-feira, Dezembro 02, 2002

ao levar um tombo

hoje eu caí
e se não houver no meu sangue
um destroço de mim mesmo
prestes a me jogar no abismo azul
do coma
e nas minhas mãos não houver
pequenas bactérias mal intencionadas
que queiram fazer do meu corpo
um pedaço morto de matéria orgânica
como aquele que ficou no asfalto atropelado
aquela lasca
enfim
se eu estiver bem
se tudo estiver como o doutor espera
e se eu for para casa e disser
eu te amo
tudo estará completo
para que eu possa
como antes
voltar a cair


posted by MARCO DUTRA 03:52
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wendy & shirley

wendy e shirley nunca deixaram de acreditar nos seus sonhos. as duas viveram boa parte da vida nos subúrbios de manchester, cidade que é, a princípio, pequena demais para ter subúrbios. wendy casou-se com audrey no final dos anos sessenta; arranjou um emprego - seu primeiro - em setenta e dois, como secretária de jean-pierre, argelino que foi para a inglaterra em sessenta e oito trabalhar como comerciante autônomo. audrey e jean-pierre acreditam na dama de ferro. shirley escreveu um poema concreto (quarto / asfalto / carro) e o leu para seu marido jean-pierre no jantar. ele sorriu e mordeu seu frango. wendy convenceu audrey a tentar fazer um filho com ela naquela noite. wendy e shirley acham margaret thatcher uma mulher de péssimo gosto.


posted by MARCO DUTRA 03:42
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era eu no quarto.

era eu o que ficava no quarto acordado
e ninguém ouvia
só eu
a mim


posted by MARCO DUTRA 03:33
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no espaço que minha agenda dedica
ao dia 14 de novembro
eu escrevi:

entre e feche a porta
apague a luz
deite-se com cuidado
para não amassar o cabelo
ameace falar
mas feche os olhos
aprenda a não gritar
lembre
de tirar as meias debaixo do cobertor
sozinho
e durma bem


posted by MARCO DUTRA 03:31
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mais idéias.

más idéias.


posted by MARCO DUTRA 03:25
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bem.

hoje dezembro começou e eu não notei, como de costume.

eu tenho 22 anos.

dezembro começou e eu tenho 22 anos. esse vai ser meu vigésimo segundo natal.

meu vigésimo segundo dezembro.

estranho. parece pouco, e eu estou um caco.


posted by MARCO DUTRA 02:57
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